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Tendinopatias: Infiltrações, Ácido Hialurônico e o papel dos exercícios no tratamento das infiltrações nos casos agudos

Pessoa segurando o joelho com a região do tendão destacada em vermelho, ilustrando dor por tendinite ou tendinopatia
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Bruno Zang

CEO | Editor da Zang Fu Massagem

Em situações de crise aguda, quando há dor intensa e limitação funcional importante, as infiltrações podem ser indicadas como recurso de alívio inicial. A infiltração com corticoide, geralmente associada à xilocaína, que garante alívio imediato da dor do procedimento, atua de forma rápida reduzindo a inflamação e a dor. Isso pode permitir que o paciente retome mais cedo os movimentos e inicie a reabilitação.

Porém, é fundamental entender que o corticoide não é solução de longo prazo. Estudos de alta qualidade mostram que, embora traga alívio nos primeiros dias e semanas, ele inibe a síntese de colágeno nos tenócitos, pode induzir morte celular, desorganiza as fibras do tendão e reduz sua resistência mecânica. Com aplicações repetidas, aumenta o risco de recidiva e até de ruptura do tendão. Por isso, deve ser usado com parcimônia, em poucas vezes, sempre como ponte para a reabilitação, e não como tratamento definitivo.

Ácido hialurônico: uma alternativa com outro perfil: A infiltração com ácido hialurônico tem mecanismo diferente: ele atua como lubrificante, reduzindo o atrito entre o tendão e sua bainha, e também modula a inflamação de forma mais suave. Não tem o efeito imediato do corticoide, mas não prejudica os tenócitos nem a produção de colágeno, e os resultados tendem a ser mais sustentados ao longo do tempo. É uma opção viável, especialmente quando se busca um controle da dor que não comprometa a estrutura do tendão, servindo como suporte enquanto o tratamento de base é conduzido.

Os exercícios: o tratamento padrão-ouro: Independentemente de haver infiltração ou não, os exercícios continuam sendo o tratamento com melhor evidência científica para a tendinopatia. Isso porque a tendinopatia não é apenas inflamação — é, sobretudo, um problema de falha no processo de reparo e de adaptação à carga.

Exercícios com carga progressiva controlada, começando com isométricos, passando por excêntricos e evoluindo para fortalecimento com resistência lenta, estimulam os tenócitos a produzir colágeno organizado e a recuperar a força e a estrutura do tendão. O processo é mais lento, mas é a intervenção que ataca a causa do problema, não só os sintomas.

Fisioterapia e massoterapia como suporte: A fisioterapia desempenha papel central: além de prescrever e orientar os exercícios de forma individualizada, ela pode associar recursos como mobilizações, terapias manuais e ajustes biomecânicos para otimizar a mecânica do movimento e reduzir sobrecargas no tendão.

A massoterapia, por sua vez, pode auxiliar na redução de tensões musculares, melhorar a circulação local e aliviar a dor, criando condições mais favoráveis para que o paciente execute os exercícios com qualidade. Não substitui o fortalecimento, mas pode ser um valioso aliado no processo de reabilitação

Portanto, as infiltrações, inclusive com ácido hialurônico, são ferramentas úteis que podem facilitar o controle da dor e permitir o início do tratamento, especialmente em fases agudas. Mas não resolvem sozinhas. A recuperação sustentada depende de tempo, de carga bem administrada e de exercícios que devolvam ao tendão a capacidade de resistir ao esforço. A combinação de recursos, quando bem indicada e conduzida, é o caminho mais seguro e eficaz.

REFERÊNCIAS

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