A ventosaterapia é uma técnica antiga que tem ganhado cada vez mais espaço como um complemento eficaz em tratamentos corporais, especialmente na massoterapia clínica, quiropraxia e liberação miofascial. Ela consiste na aplicação de copos de vidro, silicone ou acrílico que criam um vácuo ao serem colocados na pele, puxando suavemente a pele, a fáscia e os músculos para dentro do copo. Este procedimento é indicado principalmente para aliviar dores relacionadas a músculos superficiais, como aquelas causadas por tensão, encurtamento muscular e aderências na fáscia.
O segredo dos benefícios da ventosaterapia está na pressão negativa criada pelo vácuo. Essa sucção promove o deslocamento da fáscia — o tecido conjuntivo que envolve os músculos — liberando suas aderências e permitindo que o músculo volte a se alongar adequadamente. Além disso, o aumento da circulação sanguínea e do calor local, decorrente desse movimento, ajuda a acelerar a recuperação dos tecidos e a reduzir a sensação de dor e rigidez.
Estudos científicos indicam que a liberação miofascial manual, técnica que inclui a manipulação da fáscia para aliviar tensão, pode melhorar significativamente a mobilidade, diminuir o encurtamento muscular e reduzir a dor, principalmente em condições como dores de cabeça tensional e fibromialgia (Ajimsha et al., 2015; Ribeiro et al., 2024). A ventosaterapia, ao aplicar pressão negativa, atua de forma análoga ao deslocar e liberar a fáscia e os músculos superficiais, promovendo um efeito terapêutico semelhante.
A terapia por pontos-gatilho, que trabalha diretamente nos “nós” musculares responsáveis pela dor referida, tem eficácia comprovada na redução da dor e no aumento da tolerância à pressão muscular. Técnicas manuais aplicadas sobre esses pontos, inclusive com massagem, melhoram a circulação local e promovem relaxamento muscular, ações que também são potencializadas pela ventosaterapia (Shipton, 2023; Zhai, 2024).
A técnica de pompagem, presente na massoterapia, utiliza movimentos rítmicos para estimular a circulação sanguínea e linfática, auxiliando na drenagem e recuperação dos tecidos. Esses efeitos são reforçados pela ventosaterapia, que aumenta o fluxo sanguíneo local e o calor, contribuindo para a regeneração tecidual e o alívio da dor (Heberle et al., 2014).
Apesar dos seus benefícios, a ventosaterapia possui contraindicações importantes que devem ser observadas:
- Peles com lesões abertas, feridas, infecções ou condições dermatológicas como eczema, pois a sucção pode agravar essas situações.
- Pacientes com problemas circulatórios graves, incluindo varizes, trombose e hemofilia, devido ao risco aumentado de sangramentos.
- Gestantes, especialmente na área abdominal e lombar, salvo com autorização médica.
- Pessoas com câncer na região a ser tratada.
- Indivíduos com doenças de pele contagiosas ou com alta sensibilidade cutânea.
- Idosos frágeis ou com osteoporose, para evitar lesões.
- Pacientes com febre ou infecções sistêmicas ativas, pois a terapêutica pode aumentar a resposta inflamatória.
Assim, a ventosaterapia é uma técnica eficaz de complemento para o tratamento de dores musculares relacionadas à tensão, encurtamento e aderências fasciais, atuando por meio da pressão negativa que aumenta o fluxo sanguíneo, melhora a mobilidade e libera pontos de tensão. No entanto, deve ser aplicada com orientação e avaliação profissional para garantir segurança e melhores resultados.
Referências Científicas:
– Ajimsha, M. S., Al-Mudahka, N. R., & Al-Madzhar, J. A. (2015). Effectiveness of myofascial release: systematic review. *Journal of Bodywork and Movement Therapies*.
– Shipton, B. (2023). Trigger Point Management. *American Family Physician*.
– Heberle, A. B. S., et al. (2014). Assessment of techniques of massage and pumping in treatment through thermography. *Human Milk Bank research*.
– Ribeiro, A. N., et al. (2024). Effects of myofascial release techniques in fibromyalgia. *Brazilian Journal of Physical Therapy*.
– Zhai, T., et al. (2024). A comprehensive review of trigger point theory and muscle therapy. *Physiotherapy journals*.
– Wang, L., et al. (2023). Efficacy of cupping therapy on pain outcomes: an evidence-mapping study. *Frontiers in Neurology*.
Fontes
[1] The myofascial release and the treatment of tension … https://submission-mtprehabjournal.com/revista/article/view/1128
[2] Trigger Point Management https://www.aafp.org/pubs/afp/issues/2023/0200/trigger-point-management.html
[3] Assessment of techniques of massage and pumping in … https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4292597/
[4] Efficacy of cupping therapy on pain outcomes: an evidence … https://www.frontiersin.org/journals/neurology/articles/10.3389/fneur.2023.1266712/full
[5] Effectiveness of myofascial release: systematic review … https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25603749/
[6] a comprehensive review of trigger point theory and muscle … https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11266154/
[7] EFFECTS OF MYOFASCIAL RELEASE TECHNIQUES IN … https://www.rbf-bjpt.org.br/en-effects-of-myofascial-release-techniques-articulo-S141335552400337X






